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Um post sobre GCM e moradores de rua

  • Foto do escritor: Arthur Maresca
    Arthur Maresca
  • 16 de jun. de 2016
  • 2 min de leitura

Esse blog à princípio não tem nada a ver com isso. No meu primeiro post foi dito que faz-se necessário ter a visão micro para saber como comandar o barquinho chamado eu nesse mar bravo chamado vida. Mas eu me dei a liberdade de fugir do micro. Afinal, precisamos falar sobre moradores de rua. Precisamos falar sobre frio e também sobre GCM.

Pois bem, segundo a Arquidiocese de São Paulo,

cinco moradores de rua morreram por causa do frio.

Mas nós não estudamos lá em biologia que com o tempo o homem perdeu seus pelos justamente porque passou a poder manter a temperatura do seu corpo com o advento da roupa? Oras, século XXI e tem gente morrendo de frio. Há de se considerar que parte considerável dos moradores de rua não tem condições, nem materiais, e nem psíquicas para a protegerem-se contra essa adversidade climática. A situação por si só já é absurda. Não bastasse isto, eis isto:

Entidades denunciam a retirada de cobertores dos moradores de rua pela GCM

Não é só boato. Tem até foto desse tipo de ação. Mas Haddad não é o prefeito que criou o programa De Braços Abertos? Não é também o prefeito que recriou o IPTU mais alto nos bairros mais nobres e mais baixo nos mais pobres? Mas eu acho que havia lido há uns tempos que Haddad havia criado leitos para a população nessa situação, não foi? Sim, foi tudo isso. Por isso que assusta.

Acontece que não podemos, diante de um questionamento moral, ficar de mãos atadas, calados e consentidos com o que a GCM tem feito com os moradores de rua, levando não só objetos que de fato atrapalham transeuntes, como sofás, mas também cobertores e demais objetos pessoais. Isso é criminoso. Não podemos deixar nos indignar menos com esse tipo de coisa só porque a atual gestão mantém um olhar mais social que as anteriores. É fato que ela mantém. Como também são fatídicos os registros de confisco dos cobertores dos moradores de ruas. Isso é intolerável.

Também não podemos ter um pensamento reducionista: "HADDAD HIGIENISTA!" Simplesmente porque é contraproducente e não te leva, até por concepção do termo "reducionista", a uma visão mais lógica e do todo.

Em tempo: a Prefeitura disse que não orienta a GCM a retirar objetos pessoais dos moradores, que apurará os delitos e punirá os envolvidos. Também afirmou que aumentará o número de leitos disponíveis para o abrigo de moradores de rua.

Esperamos que isso ocorra. Mas mais do que isso, esperamos que os planos e as ações políticas do Município tornem-se mais eficientes na proteção e (re)inserção social do morador de rua. Não morre-se de frio. Morre-se de exclusão.


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