Vinte e cinco anos: Fôlego de 75, incerteza de 15.
- Arthur Maresca
- 19 de set. de 2016
- 4 min de leitura
É uma das fases mais complicadas da vida, já me disseram. Você se formou, é possível que esteja desempregado ou num emprego que não é o dos seus sonhos. Tem dúvidas quanto ao curso que acabou de fazer. Tem pressão da família: será que você é um projeto que não vingou? Junta-se ao fato de ser expert na arte da procrastinação, tudo o que você mais faz é protelar o que precisa ser feito. O mundo social às vezes lhe parece um lugar inóspito e por vezes você quer jogar tudo ao alto e fazer confete com seus próprios dramas.
Sabe o que é pior disso tudo? É ter alguma dose de consciência desses fatos, mas não conseguir ir muito além. E você fica repetindo zilhões de vezes a você mesmo: "Preciso melhorar, (insira seu nome aqui), você tem que fazer acontecer! Olha aquele seu amigo que está bem da vida antes dos trinta!" Você fica ansioso, se sente atado por você mesmo e no fim das contas sente que as coisas estão complicadas. "E agora, José?A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José?"

Não sou só eu e nem é só você
É bastante perceptível, infelizmente, que há muita gente nessa condição. Não é só comigo que isso rola, estou sabendo. Nem só contigo também. Não sei se isso é algum consolo, é provável até que não, mas pelo menos pode te ajudar a se localizar num contexto mais amplo e mostrar que você não está sozinho.
Uma pesquisa da Secretaria Nacional da Juventude (SNJ), reportada num artigo de setembro de 2015, aponta que só 36% dos jovens acreditam que o mundo vai melhorar nos próximos cinco anos. Soma-se ao fato do país estar passando por uma crise econômica e de representatividade, o que nos dá um certo tom cinzento. Vamos combinar: Quantos amigos você conhece que tem um sentimento semelhante em relação à nossa atualidade? Eu, particularmente, conheço uma renca.
Eu penso que, nesse sentido, o melhor a fazer é tentar desvencilhar sua vida pessoal do todo. Claro que um é produto do outro, mas faz-se necessário não alinhar as duas coisas porque você pode não se dar muito bem. Além disso, pra quem já não tem lá muito controle da vida pessoal, que dirá do todo? O jeito é tentar fazer a nossa parte, alienar o mundo de ti durante algum tempo para concentrar-se em você mesmo. É isso o que eu estou tentando fazer, vamos ver se dá certo.
Botei num papel
Coloquei numa folha A3 tudo o que eu não quero ser. Os pensamentos foram: "Sei lá, não quero ser um vendido, mas também não quero ser um perdedor, quero fazer a diferença, quero melhorar isso ou aquilo. O que eu não quero ser? Bom, se não quero ser isso, me sobra ser isso aqui. Até chegar nisso aqui, vou gastar quanto? Vou ter que fazer o quê? Estou disposto a fazer isso? Será que isso vai agredir o que eu acredito?" Coloquei tudo isso no papel e, sabe, tem me ajudado. Eu recomendo pra você que está meio perdido ou desiludido, pode ser que funcione. Eu não sou psicólogo e nem nada parecido com isso, mas funcionou comigo a ter um pouco mais de foco.
Não saí o suficiente da zona de conforto, mas ainda não desisti
Na realidade poucas vezes saí da zona de conforto: Quando morei fora de casa, quando larguei alguns hábitos alimentares ou quando resolvi largar o meu emprego. E, sabe, relembrando essas coisas, noto que às vezes não foi fácil, mas não foi nenhum monstro de sete cabeças. Acho que vale muito à pena experimentar as coisas desse mundão, e, honestamente, acho que vale pra tudo. Se não diz respeito a outra pessoa e se não for for muito prejudicial (é um tradeoff, tente pesar as consequências e ver se vale a pena), experimente! Não é bom ficar muito preso às amarras.
Claro, falar é muito mais fácil que fazer, eu mesmo admito que ainda não saí o suficiente da zona de conforto, sei que tenho muito a fazer pra alcançar o que quero. Mas estamos aí tentando, né? (Risos)
O mais legal dos posts desse blog é que eles são uma espécie de manual-desabafo.
Procurei ajuda
Quem já leu o primeiro post deste blog, sabe porque eu fui procurar ajuda profissional. Não me arrependo. Já fiquei em dúvida sobre a eficiência do tratamento com um psicólogo, mas depois pude enxergar com maior facilidade que parte dessa dúvida partia de uma premissa infundada e servia de disfarce para a minha reatividade em aceitar e em lidar com meus problemas. :(
Mas o profissional devidamente qualificado vai te ajudar a enxergar, a partir das suas qualidades e seus vícios ou falhas, como encontrar caminhos mais apropriados pra você ficar de boas contigo mesmo. Talvez ele resgate algumas feridas da sua alma (poético, né?) e, não vou mentir, isso machuca bastante às vezes. Mas é por uma causa maior, o seu bem.
Dedico essa postagem a todos os meus amigos que passam por situações difíceis. Eu espero que eles contem comigo, porque conto com eles também.